Pinacoteca: Um Pedaço de Sonho (2005)

Pinacoteca: Um Pedaço de Sonho (2005)

Pinacoteca: Um Pedaço de Sonho é um documentário em homenagem aos 100 anos deste importante museu da cidade de São Paulo. Segundo o professor de história da arte, Agnaldo Faria, um museu que atrai pessoas, vívido, que as anima, que as alimenta, o melhor lugar para não se fazer nada, no coração de São Paulo. Seu acervo traz vozes de diversos tempos, obras que sussurram, obras que gritam, completa o professor.

O documentário é repleto de imagens de passeios de câmera pelos salões e corredores (vazios e com público), detalhes da arquitetura e das obras, gravadas pelo experiente Adrian Cooper com trilha de Lívio Tragtenberg, que permeiam as entrevistas.

O acervo da Pinacoteca é de grande qualidade, principalmente no referente ao século XIX e nos períodos que se seguem. É uma instituição modelo para todo o Brasil. Contempla pintura, gravura, escultura e fotografia.

Em 2005, o acervo contava com mais de 6 mil peças, 20% delas expostas para visitação, o restante das obras ficam climatizadas em uma reserva técnica. O museu conta com uma área especializada em conservação e restauro das obras, prestando serviços inclusive para outras instituições.

Faz parte do museu um prédio próximo, a Estação Pinacoteca, antiga sede do DOPS, onde abriga o gabinete de gravuras de José Mindlin, a coleção Nemirovisky, além de exposições itinerantes. O documentário faz um making of da desmontagem de uma dessas exposições e a montagem do novo espaço.

O museu oferece um setor educativo, com projeto de inclusão de diversos públicos, entre eles deficientes visuais e populações de rua. Podemos ver uma visita de cegos, apalpando as obras, utilizando-se dos recursos desenvolvidos pelo museu.

Também há uma visita de catadores de uma cooperativa, onde um artesão dá o brilhante depoimento frente a uma escultura de bronze vazada: -Esta obra é como eu, forte e vazia, estou a procura de um caminho, não tenho vergonha em dizer.

Outro bom depoimento é o de um jovem que sonha em ser artista plástico, encontrado vagando pelos corredores em busca de referências e inspiração. Ao ser questionado pela equipe, diz que gostaria de fazer obras ao estilo de uma busca desesperada do “eu”, algo caótico, com materiais escrotos, como arame farpado por exemplo.

A parte histórica do museu, com farto material visual desde sua criação até a importante reforma dos anos 90, é contada pelos professores de arquitetura da USP Carlos Lemos e José Lefèvre.

O prédio da Pinacoteca tem tanto valor quanto seu conteúdo. Tanto a Pinacoteca como a Estação Pinacoteca são de projeto do escritório de Ramos de Azevedo. Originalmente, a Pinacoteca abrigaria o Liceu de Artes e Ofícios, escola que formaria artesãos, marceneiros, gesseiros, que construíram as casas e mobiliários da elite paulistana.

O prédio foi inaugurado em 1900. As primeiras obras do acervo da Pinacoteca foram compradas 5 anos depois, para uso nas atividades de ensino dos alunos do Liceu. Em seu início, a Pinacoteca teve um “pensionato artístico”, que patrocinava viagens de jovens ao exterior, entre eles Anita Malfatti e Victor Brecheret. Tarsila do Amaral, por exemplo, foi contratada como catalogadora do acervo.

Por muito tempo a Pinacoteca teve altos e baixos, e teve que dividir o espaço com diversas instituições como escola primária, ginásio do estado, faculdade de belas artes, escola de artes dramáticas, escola de música e canto.

O renascimento, sua refundação, é obra de Emanoel Araújo. Em sua gestão, Emanoel trouxe pela primeira vez ao Brasil uma exposição de Rodin, em 1995. Formaram filas de 4, 5 horas para apreciar obra de arte, um feito inédito até então. Com os recursos alavancados, foi possível a realização de uma reforma total do prédio que estava a ponto de ruína, a cargo do arquiteto Paulo Mendes da Rocha.

O museu é reinaugurado em 1998. O arquiteto muda a entrada da movimentada av. Tiradentes, colocando-a de fronte à Estação da Luz. Cria passarelas suspensas, onde antes só voavam as andorinhas, possibilitando novas formas de visitação. Até mesmo a presença do elevador é uma espécie de escultura mecânica em meio às obras de arte, segundo o próprio Paulo Mendes.

No encerramento do programa, antes de “subirem os créditos”, há uma subida das principais obras de artes retratadas ao longo do documentário.

Anúncios

The URI to TrackBack this entry is: https://marceloaith.wordpress.com/2013/03/05/pinacoteca-um-pedaco-de-sonho-2005/trackback/

RSS feed for comments on this post.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: