A Palhaça Tímida

 

Era uma graça

A moça que fazia graça.

Branca, alva, máscara

Disfarçava seu rubor,

E ela achava, com certeza

Que ninguém a notava.

Vez ou outra, porém

Um aventureiro lia seu coração,

E descobria o seu segredo,

E a cumplicidade a fazia suspirar.

Um dia o moço triste,

Que na plateia se sentou,

Não podia esperar,

Que a graça da moça

Que fazia graça

Iria assim o tocar.

Ela trazia doces,

Falava rindo,

Branca, alva, máscara

Disfarçava seu rubor,

E ela achava, com certeza

Que ninguém a notava.

Mas algo aconteceu no moço triste,

Que um sorriso estremeceu,

Também tímido, de início,

Como um repuxar a se instalar.

Foi quando se apercebeu,

O que estava a se passar.

Branca, alva, máscara

Disfarçava seu rubor,

E ela achava, com certeza

Que ninguém a notava.

O brilho dos olhos no moço triste,

Começou a se transformar,

Iluminando como um spot,

Seu assento na plateia.

A moça que fazia graça

Não teve outra saída,

A não ser suspirar,

Branca, alva, máscara

Disfarçava o seu rubor,

E ambos já sabiam,

Não podiam mais evitar.

Published in: on 15 de outubro de 2019 at 15:42  Deixe um comentário