TODAS ELAS SÃO CARIOCAS – WMulher

TODAS ELAS SÃO CARIOCAS

Um bom livro, em uma boa época. O natal vem chegando, os amigos secretos, reuniões da “firma” (ou do “departamento”), as férias de verão!!! Por isso mesmo, para aproveitar o calor das praias ou para presentear os amigos, “Ela É Carioca – Uma Enciclopédia de Ipanema”, de Ruy Castro.

Este é um livro que começa feminino já no nome, Ipanema, o lugar onde a emancipação da mulher começou mais cedo. Sem dúvida este foi um século onde a mulher ganhou muito espaço na sociedade e o livro resgata um pouco desta história.

Arnaldo Jabor, em sua coluna na Folha de São Paulo, nos afirma: “Ipanema foi uma grande revolução feminina! É isso! Os anos 60 fizeram uma revolução fêmea. As mulheres é que nasceram em Ipanema… Feliz de quem viveu um tempo feminino!!!”

Continua ainda: “As meninas passaram a dar. Mas não era esse “dar” comum, desglamourizado de hoje, este “fast sex”, não. Era um “dar” ainda mutilado pelo tremor do novo, ainda com perfume de pecado, ainda com o doce olho mágico do superego paterno, ainda era um sexo com sabor de crime.”

O livro de Ruy Castro traz 231 verbetes de personagens que compunham a paisagem de Ipanema, entre os anos 10 e os anos 80. Neste período, observaremos importantes mudanças no comportamento da sociedade brasileira, através das histórias do famoso bairro carioca.

Dos verbetes, mais de 40 são destinados a celebridades femininas, musas, atrizes, poetas, jornalistas, enfim, mulheres que desfraldaram suas bandeiras. São histórias corajosas, que construíram um novo imaginário do “ser mulher”.

Para os que gostam de ler uma obra de trás para frente o livro começa bem, ou para os convencionais o final é ótimo. O último verbete é sobre Zuzu Angel, estilista e mártir (1921-1976). Vestiu atrizes famosas como Liza Minnelli. Seu marido a abandonara com três filhos, e ela mesma criava, costurava e entregava suas roupas.

Ironia do destino, costurava para a mulher do General Costa e Silva, e depois, durante o governo Médice, seu filho será morto pelo exército, amarrado a um carro e arrastado pela pista da base aérea do Galeão. Passou a se envolver com a política, armando campanhas contra a ditadura militar no Brasil.

“Eles cometeram um erro. Mataram meu filho e me deixaram viva”, dizia Zuzu. Mas o erro dos militares se repetiu. Em 1976 foi assassinada, num acidente automobilístico simulado, na saída do túnel Dois Irmãos, hoje túnel Zuzu Angel.

Esse é apenas um dos verbetes femininos, vejamos um trecho sobre a atriz Betty Faria: “… criada praticamente na caserna, ela derrotou o tabu da virgindade, de trabalhar no que gostava, casar sem se casar, posar nua, criar filho sozinha, jamais esconder a idade e, já madura, namorar rapazes trinta anos mais jovens.”

Este é de Danuza Leão, jornalista, escritora, modelo e musa: “Enquanto as feministas espumavam, queimavam sutiãs e viam no homem um inimigo, Danuza fez dele um aliado e o pôs em seu devido lugar: sobre ou sob um pedestal – dependendo do caso. E, dando uma cambalhota num velho privilégio masculino, estabeleceu para si própria um padrão que toda mulher inteligente deveria seguir: há homens para namorar e homens para casar.”

O livro não poderia deixar de citar Helô Pinheiro, a jovem que inspirou Tom Jobim e Vinícius de Morais a compor “Garota de Ipanema”: “Para ela fizemos, com todo o respeito e mudo encantamento, o samba que a colocou nas manchetes do mundo inteiro e fez de nossa querida Ipanema uma palavra mágica”, declarava Vinícius.

Mas existiram outras garotas de Ipanema. Eram mulheres fatais, avançadas para a iniciada década de 60, tais como Ionita Salles Pinto, Leila Diniz e Ira Etz, esta definida como mito do Arpoador.

Os anos 50 tinham sido uma minirrevolução de atitudes, um jeito moderno de ser. Nascia em Ipanema uma nova mulher.

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