A REVOLUÇÃO TROPICALISTA (2001)

A Revolução Tropicalista (2001)

A Revolução Tropicalista fazia parte de uma série de documentários europeus que abordam a relação entre a música e o momento político em vários países. Dominique Dreyfus veio ao Brasil para a realização das entrevistas e pesquisar imagens nos acervos.
A TV Cultura apoiou a produção e eu tive a oportunidade de tomar parte nas pesquisas. Dominique é francesa, especializada em música brasileira, tem biografias lançadas sobre Luiz Gonzaga e Baden Powell.

O documentário tem inicio em 1968, mostrando os movimentos estudantis libertários pelo mundo e o crescimento das perseguições políticas e da intolerância à liberdade de expressão, no período da Ditadura Militar no Brasil. O Tropicalismo surge debaixo desse contexto repressor.

Gilberto Gil e Caetano Veloso são os personagens principais do movimento, e dão depoimentos ao longo de todo o programa. A turma Tropicalista é completada por Rogério Duprat, Os Mutantes, Tom Zé e Gal Costa.

Situada a origem do Tropicalismo, o programa faz uma digressão, voltando para a Bossa Nova e os anos JK.

Juscelino abre o Brasil para o capital estrangeiro, traz as grandes fábricas da industrialização. O Brasil entra no cenário internacional, levantando o bi-campeonato nas Copas do Mundo de Futebol de 1958-1962. Fatura o Miss Universo, mostra ao mundo o Cinema Novo. Está no primeiro mundo em cultura.

Jânio Quadros chega ao poder. Apesar de conservador, aproxima-se de Che Guevara e Mao Tsé. A Bossa Nova toma ares sociais nas temáticas de suas letras. Surgem os Centros de Cultura Popular.

Com a política social de seu sucessor, João Goulart, e os crescentes movimentos operários e campesinos, organiza-se uma reação anticomunista, que culmina com o Golpe Militar de 1964.

Os Tropicalistas se reúnem após o Golpe Militar de 1964, com a proposta de virar a Bossa Nova do avesso. Influenciados pela Cultura Pop e pelos Beatles, introduzem influências estrangeiras à música popular brasileira, que flutuava entre a Bossa Nova e a música de protesto político.

Com seus cabelos longos e guitarras elétricas causam escândalo aos nacionalistas defensivos. Para a esquerda antiamericana, os Tropicalistas se encaixam no grupo dos Imperialistas.

Caetano dá um depoimento ótimo, contando sobre a apresentação da música “É Proibido Proibir”, ele cabeludo, todo vestido em plástico preto e verde, dando as costas para o público e o público dando as costas para o artista.

Apesar de preteridos pela esquerda, os Tropicalistas apoiam os movimentos sociais e a luta pela liberdade de expressão. Estão presentes na “Passeata dos 100 mil” que pede o fim da Ditadura.

O governo que, num primeiro momento, tolerava com certa liberdade a classe artística, endurece a repressão também nas artes. O AI-5 decreta o fechamento do Congresso Nacional, Gil e Caetano são presos e mandados para o exílio em Londres.

O Tropicalismo sai de cena no meio do espetáculo. Gilberto Gil conclui que infelizmente o Tropicalismo não teve tempo para criar um gênero musical, limpou, arou, plantou, mas não colheu.

O documentário encerra então com os herdeiros do Tropicalismo, que na visão de Dominique Dreyfus seriam Lenine, Carlinhos Brown, Olodum, Chico Science e Nação Zumbi e Chico César.

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