PROFISSÃO PERIGO (2000) – A História dos Bandeirantes que Abriram o Brasil

PROFISSÃO PERIGO (2000) – A História dos Bandeirantes que Abriram o Brasil.

O documentário traz luz à história dos Bandeirantes de São Paulo. Nas entrevistas de rua, podemos perceber que poucos sabiam quem foram os bandeirantes. Muitas vezes retratados como heróis pelos livros de escola, foram violentos exterminadores de índios e de negros, história que não é contada aos jovens.

Para ilustrar o programa não havia muita documentação iconográfica do período. O que de mais rico sobreviveu ao tempo, são os testamentos dos bandeirantes. Os originais estão preservados no Arquivo Público de São Paulo, muitos deles escritos no leito de morte, em plena selva. Como pesquisador, fui buscar na filmografia brasileira diversos títulos que pudessem ilustrar a epopeia dos paulistas.

Esses Bandeirantes realmente tiveram uma vida épica, rompendo a pé grande parte da América do Sul. Saíram de São Paulo e foram até o Paraguai, Equador, Pernambuco, Amazônia… Como o título do programa diz, abriram o Brasil, sem respeitar a linha do Tratado de Tordesilhas.

Em 1750, com o Tratado de Madrid, o Brasil conquistou grande parte das fronteiras atuais. Nas negociações vigorou o princípio do “Uti Possidetis, Ita Possideatis”. A grosso modo, dizia que a terra pertenceria a quem a possuísse. E os Bandeirantes Paulistas haviam criado diversos núcleos para além da antiga divisão da América, entre Portugal e Espanha.

Mas, por trás desse grandioso legado dos Bandeirantes Paulistas, está uma história de horror. Historiadores, indígenas e alunos de escolas debatem sobre o tema, costurando toda a narrativa do programa. Os Paulistas, como eram conhecidos os Bandeirantes, faziam parte dos poucos portugueses que ousaram viver no interior do continente.

Viviam isolados nos planaltos de São Paulo, eram brutos e analfabetos. Descalços e vestindo tecidos simples, não eram os heróis de botas e couraças retratados pelos livros infantis. Falavam mais o Tupi que o Português.

João Ramalho foi o primeiro dos portugueses a se fixar no alto da Serra do Mar, dando inicio à história do bandeirantismo paulista. A primeira expedição, de Pêro Lobo (1531) foi completamente dizimada e nunca voltou. A partir de então as expedições só sairiam com o apoio de grandes contingentes de indígenas e mamelucos, misturados às tropas portuguesas.

O primeiro ciclo de expedições visava aprisionar índios e o foco principal era atacar as missões jesuíticas em território Guarani, para o Sul. Raposo Tavares, após vários ataques, retorna trazendo mais de 20 mil índios.

Os Paulistas desenvolveram uma ocupação própria, desafiando as instituições da época. Chegaram a expulsar os Jesuítas de São Paulo, por serem contra a escravidão indígena. Os Paulistas também desafiaram o Poder Real, ao aclamar Amador Bueno como Rei dos Paulistas, mas este abdicou qualquer pretensão, temendo a fúria de Portugal.

Num segundo momento, as Bandeiras migram para o Nordeste. Os Paulistas são convocados a lutar contra os Holandeses, em Pernambuco. Participam do ataque ao Quilombo dos Palmares, em Alagoas. E foram os responsáveis em combater os índios durante a ocupação do Piauí.

Também foram responsáveis pela descoberta de metais preciosos na região de Minas Gerais. A febre do ouro leva uma imigração de outras regiões do Brasil e de Portugal para as Minas. O conflito de interesses com os desbravadores Paulistas termina com a chamada Guerra dos Emboabas, que leva a intervenção direta da Coroa Portuguesa, controlando toda a região mineradora.

Os Paulistas não se dão por vencidos, e partem para as descobertas de ouro na região de Goiás, levando a uma nova corrida de colonização do Oeste, o último ciclo das expedições bandeirantes. Até o fim, o documentário não deixa de lembrar que por trás de toda a conquista territorial, da expansão portuguesa na América, estava também o extermínio de centenas de povos indígenas.

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