RENATA (2002)

RENATA (2002)

O documentário Renata é uma vídeo-biografia da nadadora santista Renata Agondi, morta aos 25 anos, ao tentar atravessar a nado o Canal da Mancha. É uma adaptação do livro Revolution 9, de Marcelo Teixeira, dirigida por Rudá de Andrade. A narrativa é baseada na leitura do diário da jovem, iniciado aos 8 anos de idade.

Renata nasce em 1963, e cresce junto com os Beatles. Essa relação afetuosa da garota com seus ídolos acompanha toda a sua breve vida, através de observações sentimentais em seu diário.

Em 1971, o pai é transferido de emprego para o Rio de Janeiro e Renata descobre a natação treinando pelo Fluminense, clube que teve a hegemonia da natação carioca. Renata começa a colecionar títulos.

Paralelamente a história da esportista, acompanhamos os questionamentos existenciais de Renata, através de Ester Góes, que narra passagens do diário. O caderno de memórias é sua válvula de escape para a realidade.

Para cobrir os trechos introspectivos, Rudá escolhe trechos de cinema mudo de Georges Méliès. Em outros momentos são usadas animações, fotos, recortes de jornais e até mesmo imagens em VHS que mostram a evolução da atleta.

Angustiada com a adolescência, deslocada do mundo, Renata larga as piscinas e dedica-se à leitura, ao violão e à busca de um amor como o que nutre pelos Beatles, para dar razão a sua vida.

O pai é transferido de volta para Santos, na época em que a jovem chega ao vestibular. Passa a trabalhar em uma loja de piscinas pré-fabricadas e a cursar a faculdade de comunicação social, onde convive com a agitação da política estudantil durante a abertura e redemocratização.

Na faculdade, participa de uma disputa aquática, e decide retornar aos treinos em 1982, competindo pelo Clube Saldanha da Gama. Nos treinos se apaixona por José Ricardo Dutra, ela com 20 anos e ele com 16. Juntos passam a competir e ganhar muitas competições em piscina e travessias em águas abertas.

Aos 22 anos estão noivos e disputando grandes distâncias em mar. Renata e Dutra saem do Saldanha da Gama e passam a competir pela equipe da Universidade Santa Cecília, crescente força da natação santista da época.

Em 1986, Renata parte para a Itália, para disputar uma das provas mais conceituadas do calendário internacional, a travessia Capri-Nápoles, de 33 km de mar. Uma prova de 9 horas, num mar de 19°C, enfrentando águas-vivas, ondas e ventos.

Renata chega com um excelente tempo, em 2º lugar na categoria feminina e em 5º lugar na classificação geral. É recebida com palmas, flores, cobertor e oxigênio. Torna-se a primeira brasileira a obter destaque em competições internacionais em águas abertas.

Ainda disputaria a Volta do Imperador, também com destaque. E repetiria as competições internacionais na Itália no ano seguinte.

Em 1987, Renata acumula 238 medalhas e 40 troféus. Confusa com a aproximação do casamento, Renata rompe o noivado e termina a relação com Dutra.

A nadadora se associa a treinadora Judith Russo e partem para uma nova viagem para a Europa em preparação para um novo desafio: a travessia do Canal da Mancha. Participa das principais provas da Itália e vai a Dover, na Inglaterra, para a tentativa da perigosa travessia.

O Canal da Mancha foi percorrido a nado pela primeira vez no final do século XIX, em quase 22 horas de percurso. Sua travessia é dificultada pelas baixas temperaturas, entre 12°C e 17°C, pelas rápidas mudanças climáticas, pela presença de manchas de esgoto e de óleo, por águas-vivas e por mais de 400 navios que cruzam diariamente o trajeto.

Renata participa de uma prova de revezamento, com outros cinco atletas, para reconhecimento do mar. Na véspera da travessia, o piloto de sua embarcação desiste de guiá-la.

Com uma tripulação desconhecida, Renata larga às 7:20 da manhã de 23 de agosto de 1988, impondo um ritmo inicial de 80 braçadas por minuto. Com cinco horas de prova, já percorreu metade da prova, mantendo o ritmo de 72 braçadas, e uma estimativa de término com 9 horas de mar.

Neste ponto, o barco parece guiar Renata por um rumo inadequado, e a nadadora passa a enfrentar marés e correntes opostas. A treinadora Judith discute com a tripulação. Após 10 horas de prova, sem alcançar o continente, Renata já não nada tão rápido.

Com 10 horas e 45 minutos de prova a equipe de bordo lança uma boia na água para recolher a nadadora do mar. Sem entender o que acontece, Renata se recusa a sair da água e se distância da embarcação.

A equipe então aciona a Guarda Costeira para o resgate da atleta. Retirada do mar a 7 km da chegada, Renata é levada de helicóptero para Calais, mas morre de exaustão e hipotermia antes de chegar ao hospital. Após 5 anos de processo, piloto e co-piloto da embarcação pegam 6 meses de prisão.

A imagem final do documentário é a emocionante chegada de Dilza Damas, que inspirada na história de Renata, é a primeira brasileira a completar a travessia do Canal da Mancha, após pouco mais de 19 horas de prova, em 1992.

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