DE VOLTA PARA CASA (1998)

DE VOLTA PARA CASA (1998) – Documentário vencedor do Prêmio Ayrton Senna de Jornalismo.

O documentário aborda a trajetória de ressocialização dos menores de rua, o trabalho de reinseri-los no convívio da família. É baseado na tese da antropóloga Maria Filomena Gregori, que estudou o comportamento dos meninos de rua entre 1991-1995, pelas calçadas de São Paulo.

A equipe de gravação percorreu as ruas de São Paulo, Salvador e Fortaleza. Entre os motivos apontados pelos menores para saírem de casa estão o sentimento de revolta, os maus tratos, a pobreza, as drogas, o alcoolismo, a prostituição e o descaso dos pais.

A tese da “viração” revela que a rua é o ponto de encontro dos meninos e meninas que fazem dos espaços públicos os cômodos de sua nova casa. Um “mocó” sob um viaduto pode ser o quarto, uma praça pode ser o banheiro, e assim por diante, vão ocupando espaços da cidade.

A mobilidade dessa população é um fator marcante, há uma rotina de circulação, que pode percorrer até 6.000 km em um ano.
O programa mostra o trabalho de educadores, uma rede de assistência que tenta recriar os vínculos familiares destas crianças, para possibilitar o retorno para o lar. Alguns exemplos de inclusão são apontados.

O ponto inicial é ganhar a confiança dos garotos, com a presença diária dos educadores nas ruas. A documentação, ter uma certidão de nascimento, um RG, é o início do resgate do vínculo com a sociedade. Outras ações iniciais são atividades artísticas e profissionalizantes nos centros de atendimento.

Maria Gregori nos alerta que toda esta rede de assistência termina ao completarem 18 anos. Os projetos não atendem mais às crianças de rua, mas estes não estão capacitados para terem um projeto de vida.

Num segundo momento inicia-se então a terapia familiar, uma vez que os problemas que levaram os garotos às ruas não se restringe somente ao menor, mas envolve também todo o núcleo familiar. E muitas vezes, quando não é possível o retorno ao lar original, o programa aponta para o caminho da família substituta, através da figura da mãe social.

São abordados instituiçãos como os Projetos Travessia, Axé, Aldeia SOS, Criança Fora da Rua Dentro da Escola, Edisca e Oludum, que trabalham não só a aproximação com crianças de rua como também trabalham com a valorização de crianças pobres, evitando que estas cheguem a deixar suas famílias.

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